PALAVRAS DE OTIMISMO




Para encontrar o bem e assimilar-lhe a luz, não basta admitir-lhe a existência. É indispensável buscá-lo com perseverança e fervor.

Ninguém pode duvidar da eletricidade, mas para que a lâmpada nos ilumine o aposento recorremos a fios condutores que lhe transportem a força, desde a aparelhagem da usina até o recesso de nossa casa.

A fotografia é hoje fenômeno corriqueiro; contudo, para que a imagem se fixe, na execução do retrato, é preciso que a emulsão gelatinosa sensibilize a placa que a recebe.

A voz humana, através da radiofonia, é transmitida de um continente a outro, com absoluta fidelidade; todavia, não prescinde do remoinho eletrônico que, devidamente disciplinado, lhe transporta as ondulações.

Não podemos, desse modo, plasmar realização alguma sem atitude positiva de confiança.

Entretanto, como exprimir a fé? - Indaga-se muitas vezes.

A fé não encontra definição no vocabulário vulgar.

É força que nasce com a própria alma, certeza instintiva na Sabedoria de Deus que é a sabedoria da própria vida. Palpita em todos os seres, vibra em todas as coisas. Mostra-se no cristal fraturado que se recompõe, humilde, e revela-se na árvore decepada que se refaz, gradativamente, entregando-se às leis de renovação que abarcam a Natureza.

Todas as operações da existência se desenvolvem, de algum modo, sob a energia da fé.

Confia o campo no vigor da primavera e cobre-se de flores.

Fia-se o rio na realidade da fonte, e dela não prescinde para a sua caudal larga e profunda.

A simples refeição é, para o homem, espontâneo ato de fé. Alimentando-se, confia ele nas vísceras abdominais que não vê.

Todo o êxito da experiência social resulta da fé que a comunidade enpenhe no respeito às determinações de ordem legal que lhe regem a vida.

Utilizando-nos conscientemente de semelhante energia, é-nos possível suprimir longas curvas em noso caminho de evolução.

Para isso, seja qual for a nossa interpretação religiosa da idéia de Deus, é imprescindível acentuar em nós a confiança no bem para refletir-lhe a grandeza.

Recordemos a lente e o Sol. O astro do dia distribui eqüitativamente os recursos de que dispõe. Convergindo-lhe, porém, os raios com a lente comum, dele auferimos poder mais amplo.

O Bem Eterno é a mesma luz para todos, mas concentrando-lhe a força em nós, por intermédio de positiva segurança íntima, decerto com mais eficiência lhe retrataremos a glória.

Busquemo-lo, pois, infatigavelmente, sem nos determos no mal.

O tronco podado oferece frutos iguais àqueles que produzia antes do golpe que o mutilou.

A fonte alcança o rio, desfazendo no próprio seio a lama que lhe atiram.

Sustentemos o coração nas águas vivas do bem inexaurível.

Procuremos a boa parte das criaturas, das coisas e dos sucessos que nos cruzem a lide cotidiana. Teremos, assim, o espelho de nossa mente voltado para o bem, incorporando-lhes os tesouros eternos, e a felicidade que nasce da fé, generosa e operante, libertar-nos-á dos grilhões de todo o mal, de vez que o bem, constante e puro, terá encontrado em nós seguro refletor.

Pelo Espírito Emmanuel, em "Pensamento e Vida", psicografado por Francisco C. Xavier, Editora FEB.




OBJETIVO DA FÉ

"Qual a finalidade do esforço religioso em minha vida?" Esta é a interrogação que todos os crentes deveriam formular a si mesmos, freqüentemente.

O trabalho de auto-esclarecimento abriria novos caminhos à visão espiritual.

Raramente se entrega o homem aos exercícios da fé, sem espírito de comercialismo inferior. Comumente, busca-se o templo religioso com a preocupação de ganhar alguma coisa para o dia que passa.

Raciocínios elementares, contudo, conduziriam o pensamento a mais vastas ilações.

Seria a crença tão-somente recurso para facilitar certas operações mecânicas ou rudimentares da vida humana? Os irracionais, porventura, não as realizam sem maior esforço? Nutrir-se, repousar, dilatar a espécie, são característicos dos próprios seres embrionários.

O objetivo da fé constitui realização mais profunda. É a "salvação" a que se reporta a Boa Nova, por excelência. E como Deus não nos criou para a perdição, salvar, segundo o Evangelho, significa elevar, purificar e sublimar, intensificando-se a iluminação do espírito para a Vida Eterna.

Não há vitória da claridade sem expulsão das sombras, nem elevação sem suor da subida.

A fé representa a bússola, a lâmpada acesa a orientar-nos os passos através dos obstáculos; localizá-la em ângulos inferiores do caminho é um engano de conseqüências desastrosas, porque, muito longe de ser uma alavanca de impulsão para baixo, é asa libertadora a conduzir para cima.
Pelo Espírito Emmanuel, em "Vinha de Luz", psicografado por Francisco C. Xavier, Editora FEB.




REALMENTE

A tempestade espanta. Entretanto, acentuar-nos-á a resistência, se soubermos recebê-la.

A dor dilacera. Mas aperfeiçoar-nos-á o coração, se buscarmos aproveitá-la.

A incompreensão dói. Contudo, oferece-nos excelente oportunidade de compreender.

A luta perturba. Todavia, será portadora de incalculáveis benefícios, se lhe aceitarmos o concurso.

O desespero destrói. Diante dele, porém, encontramos ensejo de cultivar a serenidade.

O ódio enegrece. No entanto, descortina bendito horizonte à revelação do amor.

A aflição esmaga. Abre-nos, todavia, as portas da ação consoladora.

O choque assombra. Nele, contudo, encontraremos abençoada renovação.

A prova tortura. Sem ela, entretanto, é impossível a aprendizagem.

O obstáculo aborrece. Temos nele, porém, legítimo produtor de elevação e capacidade.
Pelo Espírito André Luiz, em "Agenda Cristã", psicografado por Francisco C. Xavier, Editora FEB.




PURIFIQUEMO-NOS

Em cada dia de luta, é indispensável atentar para a utilização do vaso de nossas possibilidades individuais.

Na Terra, onde a maioria das almas encarnadas dorme ainda o sono da indiferença, é mais que necesária a vigilância do trabalhador de Jesus, nesse particular.

Quem não guarde os ouvidos pode ser utilizado pela injustiça. Quem não vigie sobre a língua pode facilmente converter-se em vaso da calúnia, pela leviandade ou pela preocupação de sensacionalismo. Quem não ilumine os olhos pode tornar-se vaso de falsos julgamentos. Quem não se orientar pelo espírito cristão, será naturalmente conduzido a muitos disparates e perturbações, ainda mesmo quando a boa-fé lhe incuta propósitos louváveis.

Os homens e mulheres, de todas as condições, estão sendo usados pelas forças da vida, diariamente. Por enquanto, a maioria constitui material utilizado pela malícia e pela viciação. Vasos frágeis e imperfeitos, fundem-se e refundem-se todos os dias , em meio de experiências inquietantes e rudes.

Raríssimos são aqueles que, de interior purificado, podem servir ao Senhor, habilitados para as boas obras. Muitos ambicionam essa posição elevada, mas não cuidam de si mesmos. Reclamam a situação dos grandes missionários, exigem a luz divina, clamam por revelações avançadas, contudo, em coisa alguma se esforçam por se libertarem das paixões baixas.

Observa, pois, amigo, a que princípios serves na lida diária. Lembra-te de que o vaso de tuas possibilidades é sagrado. Que forças da vida se utilizam dele? Não olvides, acima de tudo, que precisamos da legítima purificação, a fim de que sejamos vasos para honra e idôneos para uso do Senhor.

Pelo Espírito Emmanuel, em "Vinha de Luz", psicografado por Francisco C. Xavier, Editora FEB.




INDULGÊNCIA

A luz da alegria deve ser o facho continuamente aceso na atmosfera das nossas experiências.

Circunstâncias divesas e principalmente as de indisciplina podem alterar o clima de paz, em redor de nós, e dentre elas se destaca a palavra impensada como forja de incompreensão, a instalar entrechoques.

Daí o nosso dever básico de vigiar a nós mesmos na conversação, ampliando os recursos de entendimento nos ouvidos alheios.

Sejamos indulgentes.

Se erramos, roguemos perdão.

Se outros erraram, perdoemos.

O mal que desejarmos para alguém, hoje, suscitará o mal para nós, amanhã.

A mágoa não tem razão justa e o perdão anula os problemas, diminuindo complicações e perdas de tempo.

É assim que a espontaneidade no bem estabelece a caridade real.

Quem não reconhece as próprias imperfeições demonstra incoerência. Quem perdoa desconhece o remorso.

Ódio é fogo invisível na consciência.

O erro, por isso, não pede aversão, mas, entendimento.

O erro, nosso, requer a bondade alheia; erro de outrem, reclama a clemência nossa.

A Humanidade dispensa quem a censure, mas necessita de quem a estime.

E ante o erro, debalde se multiplicam justificações e razões. Antes de tudo, é preciso refazer, porque o retorno à tarefa é a conseqüência inevitável de toda fuga ao dever.

Quanto mais conhecemos a nós mesmos, mais amplo em nós o imperativo de perdoar.

Aprendamos com o Evangelho, a fonte inexaurível da Verdade.

Você, amostra da Grande Prole de Deus, carece do amparo de todos e todos solicitam-lhe amparo.

Saiba, pois, refletir o mundo em torno, recordando que o espelho, inerte e frio, retrata todos os aspectos dignos e indignos à sua volta, o pintor, consciente, buscando criar atividade superior, somente exterioriza na pureza da tela os ângulos nobres e construtivos da vida.
André Luiz
Autores Diversos, em "Ideal Espírita", psicografado por Francisco C. Xavier, Edição CEC.




ENTENDIMENTO

O cultivador do campo não prescinde do arado com que sulcará o corpo da gleba.

O estatuário recorrerá ao buril para afeiçoar o mármore à idéia criadora que lhe inflama a cabeça.

A criatura interessada na produção de reflexos mentais protetores de sua senda não dispensará o entendimento por alicerce do trabalho renovador.

Entendimento que simbolize fraternidade operante.

Simpatia que se converta em fulcro de força atrativa, exteriorizando-nos a melhor parte, para que a melhor parte dos outros se exteriorize ao nosso encontro.

Todos somos compulsoriamente envolvidos na onda mental que emitimos de nós, em regime de circuito natural.

Categorizamo-nos bons ou maus, conforme o uso de nossos sentimentos e pensamentos, que, no fundo, constituem cargas de energia eletromagnética, com as quais ferimos ou acalentamos, ajudamos ou prejudicamos, vitalizamos ou destruimos, e que voltam, invariavelmente, a nós mesmos, impregnadas dos recursos felizes ou infelizes com que lhes marcamos a rota.

Quando coléricos e irritadiços, agressivos e ásperos para com os outros, criamos por atividade reflexa o desalento e a intemperança, a crueldade e a secura para nós mesmos, e, quando generosos e compreensivos, prestimosos e úteis para com aqueles que nos cercam, criamos, conseqüentemente, a alegria e a tranqüilidade, a segurança e o bom ânimo para nós próprios.

Responde-nos a vida em todas as coisas e em todas as criaturas, segundo a natureza de nosso chamamento.

Até o ingresso na Consciência Cósmica, todos os seres se distinguem pela face de luz com que se alteiam para os cimos da evolução e pela face de sombra pela qual ainda sofrem a influência da retaguarda.

A própria posição vulgar do homem na Terra vale por símbolo dessa condição específica. Por cima o fulgor pleno do Sol, por baixo a escuridade do abismo.

Todos recolhemos do Pai Celeste os estímulos ao futuro e todos padecemos os reflexos do passado a se nos projetarem sobre a existência.

Desatando, assim, as algemas do mal que nós mesmos forjamos em detrimento de nossas almas, há que buscar o bem, senti-lo, mentalizá-lo e plasmá-lo com todos os potenciais de realização ao nosso alcance.

Para começar, precisamos separar o criminoso da criminalidade, como o lavrador que estabelece diferença entre o verme e a plantação, para abolir o domínio do primeiro e enriquecer a utilidade da segunda. E assim como o trabalhador rural extingue a praga, salvando a lavoura, é necessário que o nosso entendimento improvise meios de auxiliar o companheiro que caiu sob o guante da delinqüência, sem alentá-la.

Apequenar-se para ajudar, sem perder altura, é assegurar a melhoria de todos, acentuando a própria sublimação.

Entretanto, só o culto infatigável do entendimento pode garantir-nos o equilíbrio indispensável no serviço de autoburilamento em que devemos empenhar os nossos melhores sonhos, de vez que apenas o amor puro é capaz de criar em nossa mente a energia da luz divina, a expandir-se de nós em reflexos de protetora renovação.
Pelo Espírito Emmanuel, em "Pensamento e Vida", psicografado por Francisco C. Xavier, Editora FEB.




SIGAMOS A PAZ

Há muita gente que busca a paz, raras pessoas, porém, tentam segui-la.

Companheiros existem que desejam a tranqüilidade por todos os meios e suspiram por ela, situando-a em diversas posições da vida; contudo, expulsam-na de si mesmos, tão logo lhes confere o Senhor as dádivas solicitadas.

Esse pede a fortuna material, acreditando seja a portadora da paz ambicionada, todavia, com o aparecimento do dinheiro farto, tortura-se em mil problemas, por não saber distribuir, ajudar, administrar e gastar com simplicidade.

Outro roga a bênção do casamento, mas, quando o Céu lha concede, não sabe ser irmão da companheira que o Pai lhe confiou, perdendo-se através das exasperações de toda sorte.

Outro, ainda, reclama títulos especiais de confiança em expressivas tarefas de utilidade pública, mas, em se vendo honrado com a popularidade e com a expectativa de muitos, repele as bênçãos do trabalho e recua espavorido.

Paz não é indolência do corpo. É saúde e alegria do espírito.

Se é verdade que toda a criatura a busca, a seu modo, é imperioso reconhecer, no entanto, que a paz legítima resulta do equilíbrio entre os nossos desejos e os propósitos do Senhor, na posição em que nos encontramos.

Recebido o trabalho que a Confiança Celeste nos permite efetuar, é imprescindível saibamos usar a oportunidade em favor de nossa elevação e aprimoramento.

Disse Pedro - "Busque a paz e siga-a". Todavia, não existe tranqüilidade real sem Cristo em nós, dentro de qualquer situação em que estejamos situados, e a fórmula de integração da nossa alma com Jesus é invariável: - "Negue cada um a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me." Sem essa adaptação do nosso esforço de aprendizes humanos ao impulso renovador do Mestre Divino, ao invés de paz, teremos sempre renovada guerra, dentro do coração.
Pelo Espírito Emmanuel, em "Fonte Viva", psicografado por Francisco C. Xavier, Editora FEB.




QUEIXAS

A queixa nunca resolveu problemas de ordem evolutiva, entretanto, se os aprendizes do Evangelho somassem os minutos perdidos nesse falso sistema de desabafo, admirar-se-iam do volume de tempo perdido.

Realmente, muitos trabalhadores valiosos não se referem a sofrimento e serviço, com espírito de repulsa à tarefa que lhes foi cometida.

A amizade e a confiança sempre autorizam confidências; mesmo nesse particular, contudo, vale disciplinar a conversação.

A palavra lamentosa desfigura muitos quadros nobres do caminho, além de anular grandes cotas de energia, improficuamente.

O discípulo do Evangelho deveria, antes de qualquer alusão amargosa, tranqüilizar o mundo interno e perguntar a si mesmo: "Queixar por quê? não será a esfera de luta o campo de aprendizado? acaso, não é a sombra que pede luz, a dor que reclama alívio? não é o mal que requisita o concurso do bem?"

A queixa é um vício imperceptível que distrai pesoas bem-intencionadas da execução do dever justo.

Existem obrigações pequeninas e milagrosas que, levadas a efeito, beneficiariam grupos inteiros; todavia, basta um momento de queixa para que sejam irremediavelmente esquecidas.

Se alguém ou algum acontecimento te oferece ocasião ao concurso fraterno, faze o bem que puderes sem reparar a gratidão alheia e, por mais duro te pareça o serviço comum, aprende a cooperar com o Cristo, na solução das dificuldades.

A queixa não atende à realização cristã, em parte alguma, e complica todos os problemas. Lembra-te de que se lhe deres a língua, conduzir-te-á à ociosidade, e, se lhe deres os ouvidos, te encaminhará à perturbação.
Pelo Espírito Emmanuel, em "Vinha de Luz", Editora FEB.




EM FAVOR DE VOCÊ MESMO

Aprenda a ceder em favor de muitos, para que alguns intercedam em seu benefício nas situações desagradáveis.

Ajude sem exigência para que outros o auxiliem, sem reclamações.

Não encare o vizinho no seu modo de pensar; dê ao companheiro oportunidade de conceber a vida tão livremente quanto você.

Guarde cuidado no modo de exprimir-se; em várias ocasiões, as maneiras dizem mais que as palavras.

Refira-se a você o menos possível; colabore fraternalmente nas alegrias do próximo.

Evite a verbosidade avassalante; quem conversa sem intermitências, cansa ao que ouve.

Deixe ao irmão a autoria das boas idéias e não se preocupe se for esquecido, convicto de que as iniciativas elevadas não pertencem efetivamente a você, de vez que todo bem procede originariamente de Deus.

Interprete o adversário como portador de equilíbrio; se precisamos de amigos que nos estimulem, necessitamos igualmente de alguém que indique os nossos erros.

Discuta com serenidade; o opositor tem direitos iguais aos seus.

Se você considerar excessivamente as críticas do inferior, suporte sem mágoa as injunções do plano a que se precipitou.

Seja útil em qualquer lugar, mas não guarde a pretensão de agradar a todos; não intente o que o próprio Cristo ainda não conseguiu.

Defrontado pelo erro, corrija-o primeiramente em você, e, em seguida, nos outros, sem violência e sem ódio.

Se a perfídia cruzar seu caminho, recuse-lhe a honra da indignação; examine-a, com um sorriso silencioso, estude-lhe o processo calmamente e, logo após, transforme-a em material digno da vida.

Ampare fraternalmente o invejoso; o despeito é indisfarçável homenagem ao mérito e, pagando semelhante tributo, o homem comum atormenta-se e sofre.

Habitue-se à serenidade e à fortaleza, nos círculos da luta humana; sem essas conquistas dificilmente sairá você do vaivém das reencarnações inferiores.
Pelo Espírito André Luiz, em "Agenda Cristã", Editora FEB.




APRENDIZADO VALIOSO

Submetido ao currículo da aprendizagem na Academia terrestre, propõe-te a valorizar todas as lições que te escudam e preparam para a conquista dos tesouros da inteligência e do sentimento.

Cada período da vida brindar-te-á com uma gama de experiências, das quais retirarás proveitosos ensinamentos para o próprio equilíbrio.

Nem sempre o curso transcorrerá em manifestação festiva, porém, nas diferentes etapas defrontarás os desafios que te exigirão capacidade e reflexão, discernimento e decisão para superá-los.

Toda conquista resulta de um preço de sacrifício ou esforço para legitimar-se.

As variadas disciplinas podem impor-te demorados estágios, seja no patamar dos sofrimentos ou nos degraus da renúncia, todavia, galgando a escada das dificuldades, lograrás o topo da subida para o refazimento necessário e a paz verdadeira.

A princípio, os sonhos infantis enriquecer-te-ão as paisagens mentais, de modo a nutrires a adolescência com imagens e contos felizes, passando à idade da razão pelo túnel das preocupações e responsabilidades, com as quais enfrentarás o período do envelhecimento, caso a desencarnação não se te faça o decreto inesperado de interrupção do curso...

Nas inúmeras matérias de estudo e vivência, ambicionarás o curso da beleza física, sem te dares conta do quanto é transitória e de como encarcera o coração em abismos de desencantos e frustração;

- desejarás a projeção social, sem te aperceberes dos perigosos labirintos por onde deverás transitar, para mantê-la, já que se apóia nas areias movediças das circunstâncias instáveis do processo de relacionamento humano;

- disputarás a conquista do poder, sem que observes o pesado ônus que se paga quando em posição de mando, por muitos bajulado, a fim de recolherem porções da situação e desprezíveis migalhas de projeção, sob a inveja, o despeito e o ódio de incontáveis, que se comprazerão quando o olvido e a queda assinalarem a passagem do triunfador enganado por um dia;

- lutarás pela aquisição da cultura, com a qual conseguirás deter valores inapreciáveis, sem perceberes a presença do orgulho e da presunção que se postarão à espreita;

- buscarás o prazer, com o qual ficarás embriagado pelos vinhos da luxúria ou da sensualidade, da gula ou do repouso exagerado, dos desportos ou da ociosidade, sem notares a dissolução dos sentimentos e a intoxicação violenta, letal, da personalidade...

Serão períodos de movimentação ou calmaria, a sós ou com a família, de cujas ações resultarão os títulos de promoção ou a necessidade de recuperação imediata, a fim de não estacionares demoradamente na reprovação.

Ninguém alcançará o pleno conhecimento da vida sem a experiência valiosa nos estágios curriculares do educandário terrestre.

Limitados e dementes, macerados e reclusos em corpos disformes, que não lhes respondem aos comandos do Espírito, são alunos desertores que se encontram de retorno, expiando, ergastulados na dor, as lições de amor que desprezaram.

Inquietos e instáveis, insatisfeitos e padecentes, necessitados e solitários são discípulos em curso de recuperação provacional, com imediatas possibilidades de promoção, caso não resvalem, voluntariamente, pelo desespero e pela rebeldia sistemática para os cursos inferiores, já superados, mas de que ainda necessitam...

Beleza física, projeção social, poder, cultura, prazeres, são provas de difícil vitória na aprendizagem terrestre.

Solidão e sofrimento, pobreza e problemas constantes, enfermidade e abandono, constituem exames rigorosos de excelentes pesos na contagem das unidades para a avaliação no final de cada curso.

A vida é eterna e as experiências são constantes, facultando aquisições que somam valores para a libertação do ser, assim arrebentando as algemas do primitivismo com os recursos do amor puro e da sabedoria, mediante os quais poderemos manter-nos e progredir na escola bendita da ascensão de todos nós, que é a Terra.

Pelo Espírito Joanna de Ângelis, em "Otimismo", psicografado por Divaldo P. Franco, Livraria Espírita Alvorada Editora.




BILHETE FRATERNO

Meu amigo, ninguém te pede a santidade de um dia para o outro.

Ninguém reclama de tua alma espetáculos de grandeza.

Todos sabemos que a jornada humana é inçada de sombras e aflições criadas por nós mesmos.

Lembra-te, porém, de que o Céu nos pede solidariedade, compreensão, amor.

Planta uma árvore benfeitora à beira do caminho.

Escreve algumas frases amigas que consolem o irmão infortunado.

Traça pequenina explicação para a ignorância.

Oferece a roupa que se fez inútil agora, ao teu corpo, ao companheiro necessitado que segue à retaguarda.

Divide, sem alarde, as sobras de teu pão com o faminto.

Sorri para os infelizes.

Dá uma prece ao agonizante.

Acende a luz de um bom pensamento para aquele que te precedeu na longa viagem da morte.

Estende o braço à criancinha enferma.

Leva um remédio ou uma flor ao doente.

Improvisa um pouco de entusiasmo para os que trabalham contigo.

Emite uma palavra amorosa e consoladora onde a candeia do bem estiver apagada.

Conduze uma xícara de leite ao recém-nascido que o mundo acolheu sem um berço enfeitado.

Concede alguns minutos de palestra reconfortante ao colega abatido.

O rio é um conjunto de gotas preciosas.

A fraternidade é um Sol composto de raios divinos emitidos por nossa capacidade de amar e servir.

Quantos raios libertaste hoje do astro vivo que é teu próprio ser imortal?

Recorda o Divino Mestre, que teceu lições inesquecíveis em torno do vintém de uma viúva pobre, de uma semente de mostarda, de uma dracma perdida...

Faze o bem que puderes.

Ninguém espera que apagues sozinho o incêndio da maldade.

Dá o teu copo de água fria.

Pelo Espírito Emmanuel, em "Segue-Me!...", psicografado por Francisco C. Xavier, publicado pela Casa Editora O Clarim.




AS ASAS DA LIBERTAÇÃO

Se pretendes mergulhar nos fluidos superiores da Vida, desvendando os complexos mecanismos da existência, ora e medita.

A prece levar-te-á ao norte seguro e a meditação fixar-te-á no centro das aspirações superiores, harmonizando-te.

Se desejas permanecer em paz integral, consolidando as conquistas espirituais, renuncia e esquece todo o mal.

A renúncia ensinar-te-á libertação das coisas e das conjunturas afligentes e o esquecimento de qualquer mal ser-te-á o piloti para a libertação plena.

Se planejas integração no bem, ampliando a visão do amor, trabalha e serve ao próximo.

O trabalho enriquecer-te-á de valores inquestionáveis e o serviço da caridade ao próximo proporcionar-te-á oportunidade de iluminação pessoal com doação de felicidade aos outros.

Se queres a consciência tranqüila no teu processo de busca e de redenção, persevera e acompanha os que sofrem, não os deixando a sós.

A perseverança no bem dar-te-á generosidade natural e a companhia ao lado dos infelizes far-te-á sábio pelas técnicas de amor que aprenderás a utilizar para o êxito no ministério.

As duas primeiras linhas do comportamento podem ser a tua vertical de silencioso crescimento para Deus, na luta íntima, sem testemunhas, muitas vezes chorando e sofrendo, como se o solo da alma fosse rasgado para que se fixasse a trave em que te apóias e amparas.

As duas atitudes outras são a linha horizontal da tua vivência espiritual e fraterna com as criaturas humanas do teu caminho.

Já não é a busca em estrangulamento das paixões, mas a doação em sorrisos de alegria, distribuindo estímulos e coragem em nome do amor que reflete o Grande Amor.

Uma cruz a tua vida!

Nela, de braços abertos, tu te encontras.

Já não há dor, nem aflição.

Lentamente verás transformar-se a trave horizontal em asas de luz, e, livre, ascenderás na direção do Sublime Crucificado, que a todos nos aguarda em confiança de paz.

Pelo Espírito Joanna de Ângelis, em "Otimismo", psicografado por Divaldo P. Franco, Livraria Espírita Alvorada Editora.




A PRECE RECOMPÕE

Na construção de simples casa de pedra, há que despender longo esforço para ajustar ambiente próprio, removendo óbices, eliminando asperezas e melhorando a paisagem.

Quando não é necessário acertar o solo rugoso, é preciso, muitas vezes, aterrar o chão, formando leito seguro, à base forte.

Instrumentos variados movimentam-se, metódicos, no trabalho renovador.

Assim também na esfera de cogitações de ordem espiritual.

Na edificação da paz doméstica, na realização dos ideais generosos, no desdobramento de serviços edificantes, urge providenciar recursos ao entendimento geral, com vistas à cooperação, à responsabilidade, ao processo de ação imprescindível. E, sem dúvida, a prece representa a indispensável alavanca renovadora, demovendo obstáculos no terreno duro da incompreensão.

A oração é divina voz do espírito no grande silêncio.

Nem sempre se caracteriza por sons articulados na conceituação verbal, mas, invariavelmente, é prodigioso poder espiritual comunicando emoções e pensamentos, imagens e idéias, desfazendo empecilhos, limpando estradas, reformando concepções e melhorando o quadro mental em que nos cabe cumprir a tarefa a que o Pai nos convoca.

Muitas vezes, nas lutas do discípulo sincero do Evangelho, a maioria dos afeiçoados não lhe entende os propósitos, os amigos desertam, os familiares cedem à sombra e à ignorância; entretanto, basta que ele se refugie no santuário da própria vida, emitindo as energias benéficas do amor e da compreensão, para que se mova, na direção do mais alto, o lugar em que se demora com os seus.

A prece tecida de inquietação e angústia não pode distanciar-se dos gritos desordenados de quem prefere a aflição e se entrega à imprudência, mas a oração tecida de harmonia e confiança é força imprimindo direção à bússola da fé viva, recompondo a paisagem em que vivemos e traçando rumos novos para a vida superior.

Pelo Espírito Emmanuel, em "Vinha de Luz", psicografado por Francisco C. Xavier, Editora FEB.




SAIBAMOS COOPERAR

O divino poder do Cristo, como representante de Deus, permanece latente em todas as criaturas. Todos os homens receberam dele sagrados dons, ainda que muitos se mantenham afastados do campo religioso.

Referino-nos aqui, porém, aos cultivadores da fé, que iniciam o esforço laborioso e longo da descoberta dos valores sublimes que vibram em si mesmos.

Grande parte suspira por espetaculares demonstrações de Jesus em seus caminhos, e companheiros incontáveis acreditam que apenas cooperam com o Senhor os que se encontram no ministério da palavra, no altar ou na tribuna de variadas confissões religiosas.

Urge, entretanto, retificar esse erro interpretativo.

O Senhor está conosco em todas as posições da vida. Nada poderíamos realizar sem o influxo de sua vontade soberana.

Diz-nos o Mestre com clareza: "-- Eu sou a videira, vós as varas". Como produzir alguma coisa sem a seiva essencial?

Efetivamente, os aprendizes arguciosos poderão objetar que, nesse critério, também encontraremos os que praticam o mal, alicerçados nas mesmas bases. Respondendo, consideraremos somente que semelhantes infelizes enxertam cactos infernais na Videira Divina, por conta própria, pagando elevado preço, perante o Governo do Universo.

Reportamo-nos aos companheiros tímidos e vacilantes, embora bem-intencionados, para concluir que, em todas as tarefas humanas, podemos sentir a presença do Senhor, santificando o trabalho que nos foi cometido. Por isso, não podemos olvidar a lição evangélica de que seria abençoado qualquer esforço no bem, ainda que fosse apenas o de ministrar um copo de água pura em seu nome.

O Mestre não se encontra tão-somente no serviço daqueles que ensinam a Revelação Divina, através da palavra acadêmica, instrutiva ou consoladora. Acompanha os que administram os bens do mundo e os que obedecem às ordenanças do caminho, concorrendo na edificação do futuro melhor, nas organizações materiais e espirituais. Permanece ao lado dos que revolvem o chão do Planeta, cooperando na estruturação da Terra Aperfeiçoada, como inspira os missionários da inteligência na evolução dos direitos humanos.

Saibamos cooperar, desse modo, nos círculos de serviço a que fomos chamados para o concurso cristão.

Faze, tão bem quanto esteja em tuas possibilidades, a obra parcial confiada às tuas mãos.

Por hoje, talvez te enganes, supondo servir às autoridades terrestres, no entanto, chegará o minuto revelador no qual reconhecerás que permaneces a serviço do Senhor. Une-te, pois, ao Divino Artífice, em espírito e verdade, porque o problema fundamental de nossa paz é justamente o de saber se vivemos nele tanto quanto ele vive em nós.

Pelo Espírito Emmanuel, em "Fonte Viva", psicografado por Francisco C. Xavier, Editora FEB.




TOLERÂNCIA

Vive a tolerância na base de todo o progresso efetivo.

As peças de qualquer máquina suportam-se umas às outras para que surja essa ou aquela produção de benefícios determinados.

Todas as bênçãos da Natureza constituem larga seqüência de manifestações da abençoada virtude que inspira a verdadeira fraternidade.

Tolerância, porém, não é conceito de superfície.

É reflexo vivo da compreensão que nasce, límpida, na fonte da alma, plasmando a esperança, a paciência e o perdão com esquecimento de todo o mal.

Pedir que os outros pensem com a nossa cabeça seria exigir que o mundo se adaptasse aos nossos caprichos, quando é nossa obrigação adaptar-nos, com dignidade, ao mundo, dentro da firme disposição de ajudá-lo.

A Providência Divina reflete, em toda parte, a tolerância sábia e ativa.

Deus não reclama da semente a produção imediata da espécie a que corresponde. Dá-lhe tempo para germinar, crescer, florir e frutificar. Não solicita do regato improvisada integração com o mar que o espera. Dá-lhe caminhos no solo, ofertando-lhe o tempo necessário à superação da marcha.

Assim também, de alma para alma, é imperioso não tenhamos qualquer atitude de violência.

A brutalidade do homem impulsivo e a irritação do enfermo deseducado, tanto quanto a garra no animal e o espinho na roseira, representam indícios naturais da condição evolutiva em que se encontram.

Opor ódio ao ódio é operar a destruição.

O autor de qualquer injúria invoca o mal para si mesmo. Em vista disso, o mal só é realmente mal para quem o pratica. Revidá-lo na base de inconseqüência em que se expressa é assimilar-lhe o veneno.

É imprescindível tratar a ignorância com o carinho medicamentoso que dispensamos ao tratamento de uma chaga, porquanto golpear a ferida, sem caridade, será o mesmo que converter a moléstia curável num aleijão sem remédio.

A tolerância, por esse motivo, é, acima de tudo, completo esquecimento de todo o mal, com serviço incessante no bem.

Quem com os lábios repete palavras de perdão, de maneira constante, demonstra acalentar a volúpia da mágoa com que se acomoda perdendo tempo.

Perdoar é olvidar a sombra, buscando a luz.

Não é dobrar joelhos ou escalar galerias de superioridade mendaz, teatralizando os impulsos do coração, mas sim persistir no trabalho renovador, criando o bem e a harmonia, pelos quais aqueles que não nos entendam, de pronto, nos observem com diversa interpretação, compreendendo-nos o idioma inarticulado do exemplo.

Oferece-nos o Cristo o modelo da tolerância ideal, em regressando do túmulo ao encontro dos aprendizes desapontados. Longe de reportar-se à deserção de Pedro ou à fraqueza de Judas, para dizer com a boca que os desculpava, refere-se ao serviço da redenção, induzindo-os a recomeçar o apostolado do bem eterno.

Tolerar é refletir o entendimento fraterno, e o perdão será sempre profilaxia segura, garantindo, onde estiver, saúde e paz, renovação e segurança.

Pelo Espírito Emmanuel, em "Pensamento e Vida", psicografado por Francisco C. Xavier, Editora FEB.




FERMENTO ESPIRITUAL

O fermento é uma substância que excita outras substâncias, e nossa vida é sempre um fermento espiritual com que influenciamos as existências alheias.

Ninguém vive só.

Temos conosco milhares de expressões do pensamento dos outros, e milhares de outras pessoas nos guardam a atuação mental, inevitavelmente.

Os raios de nossa influência entrosam-se com as emissões de quantos nos conhecem direta ou indiretamente, e pesam na balança do mundo para o bem ou para o mal.

Nossas palavras determinam palavras em quem nos ouve, e, toda vez que não formos sinceros, é provável que o interlocutor seja igualmente desleal.

Nossos modos e costumes geram modos e costumes da mesma natureza, em torno de nossos passos, mormente naqueles que se situam em posição inferior à nossa, nos círculos da experiência e do conhecimento.

Nossas atitudes e atos criam atitudes e atos do mesmo teor, em quantos nos rodeiam, porquanto aquilo que fazemos atinge o domínio da observação alheia, interferindo no centro de elaboração das forças mentais de nossos semelhantes.

O único processo, portanto, de reformar edificando é aceitar as sugestões do bem e praticá-las intensivamente, por intermédio de nossas ações.

Nas origens de nossas determinações, porém, reside a idéia.

A mente, em razão disso, é a sede de nossa atuação pessoal, onde estivermos.

Pensamento é fermentação espiritual. Em primeiro lugar estabelece atitudes; em segundo, gera hábitos; e, depois, governa expressões e palavras, através das quais a individualidade influencia na vida e no mundo. Regenerado, pois, o pensamento de um homem, o caminho que o conduz ao Senhor se lhe revela reto e limpo.

Pelo Espírito Emmanuel, em "Fonte Viva", psicografado por Francisco C. Xavier, Editora FEB.




LIBERDADE

Em todos os tempos, a liberdade foi utilizada pelos dominadores da Terra. Em variados setores da evolução humana, os mordomos do mundo aproveitam-na para o exercício da tirania, usam-na os servos em explosões de revolta e descontentamento.

Quase todos os habitantes do Planeta pretendem a exoneração de toda e qualquer responsabilidade, para se mergulharem na escravidão aos delitos de toda sorte.

Ninguém, contudo, deveria recorrer ao Evangelho para aviltar o sublime princípio.

A palavra do apóstolo aos gentios é bastante expressiva. O maior valor da independência relativa de que desfrutamos reside na possibilidade de nos servirmos uns aos outros, glorificando o bem.

O homem gozará sempre da liberdade condicional e, dentro dela, pode alterar o curso da própria existência, pelo bom ou mau uso de semelhante faculdade nas relações comuns.

É forçoso reconhecer, porém, que são muito raros os que se decidem à aplicação dignificante dessa virtude superior.

Em quase todas as ocasiões, o perseguido, com oportunidade de desculpar, mentaliza represálias violentas; o caluniado, com ensejo de perdão divino, recorre à vingança; o incompreendido, no instante azado de revelar fraternidade e benevolência, reclama reparações.

Onde se acham aqueles que se valem do sofrimento, para intensificar o aprendizado com Jesus-Cristo? Onde os que se sentem suficientemente livres para converter espinhos em bênçãos? No entanto, o Pai concede relativa liberdade a todos os filhos, observando-lhes a conduta.

Raríssimas são as criaturas que sabem elevar o sentido da independência a expressões de vôo espiritual para o Infinito. A maioria dos homens cai, desastradamente, na primeira e nova concessão do Céu, transformando, às vezes, elos de veludo em algemas de bronze.

Pelo Espírito Emmanuel, em "Vinha de Luz", psicografado por Francisco C. Xavier, Editora FEB.




PÁGINA DO MOÇO ESPÍRITA CRISTÃO

"Ninguém despreze a tua mocidade; mas sê o exemplo dos fiéis na palavra, no trato, na caridade, no espírito, na fé e na pureza." - Paulo (I Timóteo, 4:12)

Meu amigo da cristandade juvenil, que ninguém te despreze a mocidade.

Este conselho não é nosso. Foi lançado por Paulo de Tarso, o grande convertido, há dezenove séculos.

O apóstolo da gentilidade conhecia o teu soberano potencial de grandeza. A sua última carta, escrita com as lágrimas quentes do coração angustiado, foi também endereçada a Timóteo, o jovem discípulo que permaneceria no círculo dos testemunhos de sacrifício pessoal por herdeiro de seus padecimentos e renunciações.

Paulo sabia que o moço é o depositário e realizador do futuro.

Em razão disso, confiava ao aprendiz a coroa da luta edificante.

Que ninguém, portanto, te menoscabe a juventude, mas não te esqueças de que o direito, sem o dever, é vocábulo vazio.

Ninguém exija sem dar ajudando e sem ensinar aprendendo também.

Sê, pois, em tua escalada do porvir, o exemplo dos mais jovens e dos mais velhos que procuram no Cristo o alvo de suas aspirações, ideais e sofrimentos.

Consagra-te à palavra elevada e consoladora.

Guarda a bondade e a compreensão no trato com todos os companheiros e situações que te cercam.

Atende à caridade que te pede estímulo e paz, harmonia e auxílio para todos.

Sublima o teu espírito na glória de servir.

Santifica a fé viva, confiando no Senhor e em ti mesmo, na lavoura do bem, que deve ser cultivada todos os dias.

Conserva a pureza dos teus sentimentos a fim de que o teu amor seja invariavelmente puro, na verdadeira comunhão com a Humanidade.

Abre as portas de tua alma a tudo o que seja útil, nobre, belo e santificante e, de braços devotados ao serviço da Boa Nova, pela Terra regenerada e feliz, sigamos com a vanguarda dos nossos benfeitores ao encontro do Divino Amanhã.

Pelo Espírito Emmanuel, em "Segue-me!...", Casa Editora O Clarim.




ESTÍMULO FRATERNAL

Não te julgues sozinho na luta purificadora, porque o Senhor suprirá todas as nossas necessidades.

Ergue teus olhos para o Alto e, de quando em quando, contempla a retaguarda.

Se te encontras em posição de servir, ajuda e segue.

Recorda o irmão que se demora sem recursos, no leito da indigência.

Pensa no companheiro que ouve o soluço dos filhinhos, sem possibilidades de enxugar-lhes o pranto.

Detém-te para ver o enfermo que as circunstâncias enxotaram do lar.

Pára um momento, endereçando um olhar de simpatia à criancinha sem teto.

Medita na angústia dos desequilibrados mentais, confundidos no eclipse da razão.

Pensa nos corações maternos, torturados pela escassez de pão e harmonia no santuário doméstico.

Interrompe, de vez em quando, o passo apressado, a fim de auxiliares o cego que tateia nas sombras.

É possível, então, que a tua própria dor desapareça aos teus olhos.

Se tens braços para ajudar e cabeça habilitada a refletir no bem dos semelhantes, és realmente superior a um rei que possuísse um mundo de moedas preciosas, sem coragem de amparar a ninguém.

Quando conseguires superar as tuas aflições para criares a alegria dos outros, a felicidade alheia te buscará, onde estiveres, a fim de improvisar a tua ventura.

Que a enfermidade e a tristeza nunca te impeçam a jornada.

É preferível que a morte nos surpreenda em serviço, a esperarmos por ela numa poltrona de luxo.

Acende, meu irmão, nova chama de estímulo, no centro da tua alma, e segue além... Sê o anjo da fraternidade para os que te seguem dominados de aflição, ignorância e padecimento.

Quando plantares a alegria de viver nos corações que te cercam, em breve as flores e os frutos de tua sementeira te enriquecerão o caminho.
Pelo Espírito Emmanuel, em "Fonte Viva", Editora FEB.




EM PERMANENTE SINTONIA

Muitos gostariam que o programa de ascensão fosse de fácil vencimento.

Alguns cristãos da fé renovada supõem que elevação é tarefa para um dia e para tanto se empolgam na elaboração de roteiros precipitados, como se o triunfo fosse resultante de um só golpe.

Diversos arregimentam cartazes de exaltação, na vã expectativa de concluírem rapidamente a tarefa que demanda estabilidade e harmonia, equilíbrio e sensatez.

Não faltam aqueles que aderem às correntes da fé, como se estivessem fugindo aos compromissos redentores, na ansiedade de receberem graças e dons, que se encontram distante de merecer.

Debandam, a cada instante, corações que se emurcheceram pelo desencanto, deixando as fileiras da luz, porque não conseguiram santificação de improviso nem libertação das mazelas a golpes de bruscas ferramentas.

Persevera tu. Cristifica-te na senda iluminativa de instante a instante.

Jesus galgou o acume do Tabor para orar demoradamente por uma noite inteira, a fim de resplandecer alvinitente na madrugada de ouro diante dos vultos venerandos da raça na qual se apresentou na carne! Depois desceu aos homens para atender ao tumulto dos sofredores, nas valas redentoras da escola física.

Diária e constantemente os Espíritos Excelsos descem esperando que os homens subam até eles. Essa mesma lição eloqüente no-la deu o Senhor, subindo para se encontrar com os Seus tutelados, depois descendo a ensinar silenciosamente a execução do verbo amar na prática da solidariedade.
- * -
Estêvão, antes de cantar a melodia rutilante da Boa Nova, meditou, enquanto a enfermidade o minava, na enxerga humílima da Casa do Caminho, para se tornar depois o herói do verbo santo.

Paulo, antes de entoar a sinfonia clarificadora do Evangelho, fez um exame acurado de si mesmo em três longos anos de meditação no deserto, para sacudir, mais tarde, com seu verbo flamívomo, os alicerces do velho mundo e tornar-se arauto da Verdade.

Francisco de Assis mergulhou em oração continuada enquanto lapidava as imperfeições, para se fazer o "cantor de Deus" e do amor na Terra vencida pelas aflições.

E Allan Kardec, o Mensageiro do Consolador, acurou meditações e laborou infatigável até o momento de fazer rutilar as gemas preciosas da Doutrina Espírita, que depositou na cabeça da Humanidade como coroa de jóias coruscantes e invulgares...
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Galga, servidor do Cristo, a montanha das dificuldades ou das pelejas e ora demoradamente no planalto da fé, até que os corifeus da verdade te clarifiquem a alma, impulsionando-te à descida para a luta de todos os dias, em sintonia permanente com Deus.

Transpõe os óbices para ouvir e desce aos abismos para ensinar.

No alto, comungas com Deus; embaixo, dá-te em comunhão com os homens.

Para manter a perfeita sintonia com o Pai, Jesus desceu das regiões luminescentes da Vida Transcendente, para traçar uma rota salpicada de estrelas, por onde deveria deambular a Humanidade dos séculos futuros. No entanto, não encontrou quem O amasse. O ósculo que recebeu foi insidioso e de traição, as mãos dos que lhe receberam ternura estrugiram-lhe na face, fechadas, pela grosseria do soldado que O esbordoou, e o triunfo que a Terra Lhe deu foi situá-lo acima do solo, na cruz do flagício, que, todavia, se transformou desde então em luminosa seta apontando a estrada da redenção para os que aspiram à plenitude da paz.
Pelo Espírito Joanna de Ângelis, em "Lampadário Espírita", psicografado por Divaldo P. Franco, Editora FEB.

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