A R T I G O S





IX- A MEDIUNIDADE E AS SUTILEZAS DE SUA PRÁTICA

MEDIUNIDADE PEDE DISCERNIMENTO, BOM SENSO - SUA PRÁTICA É INCOMPATÍVEL COM O ORGULHO E A VAIDADE

Em grande equívoco incorre o médium, já desenvolvido, quando perde o contato com o estudo e a humildade na prátic da mediunidade, vez que o estudo incansável e perseverante, somado à onipresença da humildade, são os dois elementos básicos da mediunidade com Jesus.

Por isso, Kardec ensinou:

"(...) Suponhamos que a faculdade mediúnica esteja completamente desenvolvida; que o médium escreva com facilidade; que seja, em suma, o que se chama um médium feito.

Grande erro de sua parte fora se crer dispensado de qualquer instrução a mais, porquanto apenas terá vencido uma resistência material. Do ponto a que chegou é que começam as verdadeiras dificuldades; é que ele mais do que nunca precisa dos conselhos da prudência e da experiência, se não quiser cair nas mil armadilhas que lhe vão ser preparadas. Se pretender muito cedo voar com suas próprias asas, não tardará em ser vítima de Espíritos mentirosos, que não se descuidarão de lhe explorar a presunção."

Daí vem o sábio e lúcido conselho de Joanna de Ângelis:

"(...) Educar-se incessantemente é dever a que o médium se deve comprometer intimamente, a fim de não estacionar, e, aprimorando-se, lograr as relevantes finalidades que a Doutrina Espírita propõe para a mediunidade com Jesus."

Afirma Hermínio Miranda:

"(...) Enquanto a mediunidade for considerada apenas um aspecto da Doutrina Espírita, continuaremos a conviver com incompreensões e distúrbios gerados pelo desconhecimento quase total da questão. Um dia se descobrirá que mediunidade, tanto quanto reencarnação, não são invenções nem propriedades da Doutrina Espírita, mas fatos, realidades, aspectos relevantes da Lei Natural. A partir desse momento, poderá ser montado um modelo inteligente para atender às multidões que vivem na dimensão espiritual, o desespero de suas angustiantes aflições, tanto quanto aos encarnados que ignorem os próprios recursos de que foram dotados para servir, aprender e evoluir."

Atentemos na exortação de Bläise Pascal:

"Quando quiserdes receber comunicações de bons Espíritos, importa vos prepareis para esse favor pelo recolhimento, por intenções puras e pelo desejo de fazer o bem, tendo em vista o progresso geral. Porque lembrai-vos de que o egoísmo é causa de retardamento a todo progresso; lembrai-vos de que se Deus permite que alguns dentre vós recebam o sopro daqueles de Seus filhos que, pela sua conduta, souberam fazer-se merecedores de Lhe compreender a infinita bondade, é que ele quer, por solicitação nossa e atendendo às vossas boas intenções, dar-vos os meios de avançardes no caminho que a Ele conduz.

Assim, pois, médiuns!... Aproveitai dessa faculdade que Deus houve por bem vos conceder. Tende fé na mansuetude do nosso Mestre; ponde sempre em prática a caridade; não vos canseis jamais de exercitar essa virtude sublime, assim como a tolerância. Estejam sempre as vossas ações de harmonia com a vossa consciência e tereis nisso um meio certo de centuplicardes a vossa felicidade nessa Vida passageira e de preparardes para vós mesmos uma existência mil vezes ainda mais suave. Que, dentre vós, o médium que não se sinta com forças para perseverar no ensino espírita, se abstenha; porquanto, não fazendo proveitosa a luz que o ilumina, será menos escusável do que outro qualquer, e terá que expiar a sua cegueira."

Aconselha Delfina de Girardin:

"Falar-vos-ei hoje do desinteresse, que deve ser uma das qualidades essenciais dos médiuns, tanto quanto a modéstia e o devotamento.

Deus lhes outorgou a faculdade mediúnica, para que auxiliem a propagação da verdade e não para que trafiquem com ela. E, falando de tráfico, não me refiro apenas aos que entendessem de explorá-la, como o fariam com um dom qualquer da inteligência, aos que se fizessem médiuns, como outros se fazem dançarinos ou cantores, mas também a todos os que pretendessem dela servir-se com o fito em interesses quaisquer.

Será racional crer-se que Espíritos bons e, ainda menos, Espíritos superiores, que condenam a cobiça, consintam em prestar-se a espetáculos e, como comparsas, se ponham à disposição de um empresário de manifestações espíritas? Não é racional se suponha que Espíritos bons possam auxiliar quem vise a satisfazer o orgulho ou a ambição. Deus permite que eles se comuniquem com os homens para os tirarem do paul terrestre e não para servirem de instrumentos às paixões mundanas. Logo, não pode Ele ver com bons olhos os que desviam do seu verdadeiro objetivo o dom que lhes concedeu, e vos asseguro que esses serão punidos, mesmo aí nesse mundo, pelas mais amargas decepções."

Finaliza o Espírito da Verdade:

"Todos os médiuns são, incontestavelmente, chamados a servir à causa do Espiritismo, na medida de suas faculdades, mas bem poucos há que não se deixem prender nas armadilhas do amor-próprio. É uma pedra de toque, que raramente deixa de produzir efeito. Assim é que, sobre cem médiuns, um , se tanto, encontrareis que, por muito ínfimo que seja, não se tenha julgado, nos primeiros tempos da sua mediunidade, fadado a obter coisas superiores e predestinado a grandes missões. Os que sucumbem a essa vaidosa esperança, e grande é o número deles, se tornam inevitavelmente presas de Espíritos obsessores, que não tardam a subjugá-los, lisonjeando-lhes o orgulho e apanhando-os pelo seu lado fraco. Quanto mais pretenderem eles elevar-se, tanto mais ridícula lhes será a queda, quando não desastrosa.

As grandes missões só aos homens de escol são confiadas, e Deus mesmo os coloca, sem que eles o procurem, no meio e na posição em que possam prestar concurso eficaz. Nunca será demais eu recomende aos médiuns inexperientes que desconfiem do que lhes podem certos Espíritos dizer, com relação ao suposto papel que eles são chamados a desempenhar, porquanto, se o tomarem a sério, só desapontamentos colherão nesse mundo, e, no outro, severo castigo.

Persuadam-se bem de que, na esfera modesta e obscura onde se acham colocados, podem prestar grandes serviços, auxiliando a conversão dos incrédulos, prodigalizando consolação aos aflitos. Se daí deverem sair serão conduzidos por mão invisível, que lhes preparará os caminhos, e serão postos em evidência, por assim dizer, a seu mau grado.

Lembrem-se sempre destas palavras: "Aquele que se exalçar será humilhado, e o que se humilhar será exalçado".

Rogério Coelho - "Revista Internacional de Espiritismo" - Fevereiro/2001 - Págs. 041/042.



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