A R T I G O S





XVII- O QUE VOCÊ PENSA SOBRE OS ESPÍRITOS?

Pergunto ao leitor, especialmente àquele não habituado com os conhecimentos do Espiritismo. O que pensa o leitor sobre os espíritos, sua natureza, destinação, origem, etc?

Sente medo, conhece algo sobre eles, sabe onde estão, como vivem, o que fazem?

Isto é importante, pois afinal os espíritas estão sempre falando sobre mensagens vindas de além-túmulo, sobre imortalidade da alma e comunicações com esses tais espíritos. Comentemos um pouco sobre eles.

Os espíritos nada mais são que os homens fora do corpo, em outro estágio de vida. Pensam, sentem, aproximam-se dos homens, com eles se relacionam incessantemente. São seres reais, mas longe de serem fantasmagóricos ou "seres de outro mundo", são simplesmente as criaturas humanas despojadas do corpo de carne, pelo fenômeno da morte ou desencarnação na linguagem espírita. Vivem em sociedade, trabalham, se instruem e se preparam para nova jornada na Terra, através de outro corpo físico, pela reencarnação, que significa retorno à vida terrestre, em outro corpo.

Porém, há um detalhe importante que o leitor precisa considerar: Por terem partido da Terra, não se transformam em "anjos ou demônios, santos ou virtuosos repentinos". Levam consigo as próprias conquistas. Portanto, conservam a bondade, inteligência, maldade ou dificuldades e conflitos psicológicos que mantinham como homem. Ou sejam, continuam a ser o que eram, com a única diferença de não mais possuírem o corpo de carne. Não se tornam sábios ou virtuosos só porque habitam a morada dos Espíritos, mas conservam suas características pessoais de virtudes e conhecimentos, defeitos e ignorância, conforme eram na Terra, aguardando esforço e aprendizado, para melhorarem e progredirem.

Este conhecimento é básico para entender que nem tudo que vem dos espíritos é sério ou verdadeiro. Existem também espíritos brincalhões, maldosos, mal-intencionados, falsos e medíocres, como os há também entre os homens. E naturalmente que o oposto também, ou seja, espíritos sábios, inteligentes, bondosos, sérios, criteriosos. Isto previne da aceitação cega de comunicações nem sempre confiáveis, como também livra do medo de entidades supostamente más, pois que nada mais são do que como se fossem malfeitores na Terra, necessitados de correção e reajuste.

Portanto, não tema! São homens, filhos de Deus, iguais a nós, pois que também somos espíritos, apenas em outra dimensão de vida. Interessante é que o intercâmbio entre nós e eles é permanente. Estamos continuamente nos influenciando mutuamente. Espíritos bons sempre desejam o progresso e a felicidade humana e para isso trabalham, aproximando-se de homens voltados a este objetivo. Espíritos invejosos, ciumentos, rancorosos ou viciados se aproximam de homens da mesma natureza. É a lei da reciprocidade ou de afinidades. Semelhante atrai semelhante.

Por isso, nada de achar que espíritos são seres vinculados a demônios ou outras feras, que aliás o Espiritismo nem aceita. Sendo seres pensantes, também sofrem seus conflitos e dificuldades, necessitados também dos pensamentos de bondade e da fraternidade que a todos nos beneficiam.

Entenda apenas que esta vida material é secundária. A verdadeira vida é a vida espiritual. Dela viemos, para ela voltaremos contínuamente. A Terra oferece estágios de aperfeiçoamento. Ora estamos cá, ora lá. Portanto, encare-os apenas como irmãos em evolução, filhos do mesmo Deus, aceitando-os como criaturas também em evolução.

Gentileza do Sr. Orson Peter Carrara - "Revista Internacional de Espiritismo" - "Casa Editora O Clarim".



Retornar à Página Inicial