A R T I G O S





XI- HERANÇA ESPIRITUAL E HEREDITARIEDADE GENÉTICA

LEI DE CAUSA E EFEITO DETERMINA OS EFEITOS DA HEREDITARIEDADE USANDO OS REGISTROS DO PERISPÍRITO

Há algum tempo, tivemos o anúncio histórico da conclusão do seqüenciamento do genoma humano, isto é, o mapeamento virtualmente completo do código genético humano, bombasticamente comemorado pela ciência bio-genética.

Colossal será ainda o trabalho subseqüente de identificação dos 80.000 genes existentes, do conhecimento das funções de cada gene e da estrutura de cada proteína que eles codificam, estimando-se entre cinco anos e um século a realização progressiva e integral de cada um desses objetivos.

Inegavelmente, trará benefícios revolucionários na terapia das enfermidades humanas e em muitos outros campos da natureza, embora o entusiasmo resultante venha sendo naturalmente, ora magnificado por fantasias tecnológicas, ora enegrecido por presságios de manipulação e de discriminação potenciais assustadoras.

Como sensatamente nos disse Kardec, referindo-se à evolução da nossa Doutrina Redentora, que "o Espiritismo seria aquilo que os homens dele fizessem", vale igualmente dizer-se que as novas descobertas da ciência serão o que os homens delas fizerem, se bombas atômicas devastadoras ou energia nuclear segura e construtiva, apenas para exemplificar.

Surpreendente ainda mais, embora esperada, a persistência do enfoque materialista, agora ultra-exacerbado, das pesquisas dos fenômenos vitais, atribuídos à exclusiva ação mecânica da hereditariedade genética, no comando da montagem dos três bilhões de nucleotídeos que constituem os degraus do DNA humano.

A ciência insiste em pensar a vida como uma complexa reação química, e nada mais do que isso, prestes a ser descoberta e viabilizada pelo homem, assim como até hoje crê ser o pensamento mera excreção do cérebro e que todas as funções psíquicas morrem com o corpo físico.

Não há ainda lugar para o espírito na ciência pesquisacional acadêmica, empírico-indutiva, a qual, por isso, continua tomando como causa o que é efeito, fazendo das leis da hereditariedade genética as únicas presentes ao ato da vida, juízas exclusivas e inconscientes do futuro patrimônio apolíneo e saudável ou disforme e enfermiço do ser humano, apenas concedendo algumas influências aos efeitos ambientais e ao psicossomatismo, ainda que cerebral, calcadas nas predisposições genéticas.

A evolução de cada ser individualizado, criatura de Deus, não pode ficar à mercê da casualidade das combinações aleatórias entre as constituintes da matéria. Os aportes da física probabilística quântica relativos aos comportamentos na intimidade da micro-matéria poderão, quem sabe, um dia, explicar como a Lei de Causa e Efeito utiliza a probabilidade quântica para concretizar a causalidade contributiva do espírito encarnante.

Só o reconhecimento, que um dia chegará, da primazia do espírito sobre a matérian -- associada esta primazia ao princípio reencarnacionista, isto é, a integração comandatária, pelo espírito, via perispírito, da herança espiritual à hereditariedade genética, regida esta integração pela Lei de Causa e Efeito --, permitirá que se identifiquem no espírito imortal as causas verdadeiras dos desequilíbrios que eclodem no corpo físico, mata-borrão e fio-terra que ele é, sob o nome de doenças, incluindo-se os distúrbios da psique humana.

E, muito mais, porque o espírito, em evolução ao infinito, é a fonte única e inesgotável não só da saúde físico-psíquica, mas de todas as potencialidades da inteligência, da razão, da intuição, do comportamento, da moral, da beleza e do bem universais, partícula que ele é da essência de Deus-Pai, Criador da Vida e das leis que regem o Universo e os seres.

A propósito, queremos retransmitir, em palavras nossas, as elucidações que um bondoso mentor espiritual do centro espírita que freqüentamos nos trouxe sobre o tema da herança espiritual e da hereditariedade genética, num esclarecimento marcado por sábia singeleza e convincente racionalidade:

Estamos submetidos pela misericordiosa Lei de Causa e Efeito a essas duas ordens de heranças, que acompanham providencial e amorosamente a nossa trajetória educativa reencarnacional, roteiro esse gerado por nós mesmos no exercício do livre-arbítrio aplicado nas livres escolhas que fazemos diante dos eventos e circunstâncias vivenciados por nós, tendo-se como régua de medida a Lei Suprema do Amor, revelada e praticada até as últimas conseqüências pelo Amado Mestre Jesus.

A herança espiritual, súmula do nosso passado multimilenar, está gravada indelevelmente no nosso espírito, que tem, como seu instrumento de ação na matéria, o perispírito. Normalmente, sob a orientação dos Instrutores Espirituais e aquiescência do espírito encarnante, há um prévio programa de aprimoramento espiritual ajustado às suas necessidades de depuração. Assim, buscam-se os genitores que apresentem nos seus patrimônios genéticos características compatíveis com o programa acordado.

Os patrimônios espirituais de genitores e familiares são também levados em alta conta, mesmo porque, embora não transmissíveis por via hereditária, o serão pela via da educação, dos exemplos e do ambiente familiar a serem recebidos pelo encarnante.

E, então, a partir da fecundação do óvulo pelo espermatozóide, sob o comando da Lei, o espírito encarnante imprime, através da ação do seu perispírito, a integração da sua própria herança espiritual com a herança genética dos genitores, conduzido pelas sagradas leis das hereditariedades, provindas do Criador, na formação do respectivo DNA individualizado, composto de genes dominantes e recessivos que conformarão o novo corpo físico daquele particular espírito imortal, que "renascerá" conforme aquele programa acertado, subordinado inicialmente e voluntariamente a predeterminados fatores como família, raça, etnia, nacionalidade, predisposições para determinados estados de saúde ou doença física ou espiritual, e inúmeras outras particularidades individuais.

Aí, então, surgirá uma nova criaturinha, com o dom divino da vida que, neste mundo de expiações e provas, onde ainda merecemos estar, a iniciará com um choro estridente ansiosamente esperado.

Abre-se para o espírito uma nova romagem onde, no devido tempo, a razão e o livre-arbítrio comparecerão para moldar o seu novo viver em vontade e responsabilidade face os compromissos assumidos e os desafios oportunos e indispensáveis com que o mundo o defrontará, nunca superiores às próprias forças, sempre sob a proteção complacente da misericórdia divina.

Raphael Rios - "Revista Internacional de Espiritismo" - Dezembro/2000 - Págs. 513/514.



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